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REVISÕES E ESTUDOS

Postado em 28 de Fevereiro às 10h04

Glutamina na modulação imunológica em exercícios físicos intensos

Revisões (23)

A glutamina é o aminoácido mais abundante no organismo e exerce importantes funções na modulação imunológica. Em situações críticas, como em traumas ou no exercício extenuante, as necessidades corpóreas extrapolam a produção endógena. Por esta razão é classificado como um aminoácido condicionalmente essencial.

A suplementação de Glutamina vem se mostrando eficaz na redução da incidência de infecções em atletas submetidos ao treinamento exaustivo, aumentando a contagem de linfócitos e auxiliando na manutenção da saúde intestinal. A utilização de dipeptídeos de glutamina, tais como a L-alanil-L-glutamina por via oral representa uma alternativa eficiente para aumentar a disponibilidade de glutamina nas células.

A glutamina é o aminoácido mais abundante no organismo, sendo o mais predominante no plasma e no tecido muscular. Ela corresponde a um terço no nitrogênio circulante sob a forma de aminoácidos. É considerado um aminoácido condicionalmente essencial, uma vez que, apesar de ser sintetizada pelo organismo, em condições críticas tais como em traumas, infecções, queimaduras, HIV e em exercícios extenuantes as necessidades podem ser superiores às da produção endógena.

Células do tecido imune, rins e intestino são grandes consumidoras de glutamina. Já os músculos esqueléticos, os pulmões, o fígado, o cérebro e possivelmente o tecido adiposo são tecidos sintetizadores de glutamina. Mais da metade da glutamina consumida na dieta e absorvida é utilizada pelas próprias células intestinais que, por se renovarem rapidamente, necessitam sintetizar constantemente compostos estruturais, principalmente a partir da glicose e desse aminoácido.

Dessa forma, a maior proporção da glutamina circulante é proveniente dos músculos esqueléticos, que sintetizam e exportam glutamina e alanina para a circulação, em especial durante situações de catabolismo intenso, como no jejum prolongado e exercício intenso. A síntese de glutamina se dá por meio da captação do glutamato na corrente sanguínea, sendo que este é responsável por 40% da sua síntese endógena. Quando associado à amônia (NH3) e ao trifosfato de adenosina (ATP), sob a ação da glutamina sintetase (GS) o glutamato se converte em glutamina.

O exercício físico induz a alterações transitórias no sistema imunológico. Diferentes tipos e cargas de exercícios podem gerar alterações distintas nos parâmetros imunes. Enquanto o exercício moderado (<60% do VO2 max) parece estar relacionado ao aumento da resposta dos mecanismos de defesa orgânica, exercícios mais intensos e prolongados (>65% VO2) ou treino excessivo parecem enfraquecê-la.

Além disso, temos que após atividade intensa, a concentração plasmática da glutamina diminui, suprimindo a função imune e tornando o atleta mais suscetível a infecções do trato respiratório superior. Isso porque algumas células do sistema imune, como linfócitos e macrófagos utilizam a glutamina como um importante combustível, podendo esta ter efeitos imunoestimulatórios.

Estudos mostram que a suplementação com glutamina reduz a incidência de infecções em atletas submetidos ao treinamento exaustivo e aumenta a contagem total de leucócitos, seguido da diminuição da contagem de linfócitos, acarretando maior razão de linfócitos T CD4+:CD8+. Durante exercícios vigorosos, devido a redução da perfusão sanguínea na mucosa intestinal, pode ocorrer atrofia das vilosidades intestinais, com conseqüente síndrome de má absorção. Estudos experimentais têm demonstrado que a glutamina pode ser um elemento com atividade energética e trófica importante para o cólon submetido a situações de estresse.

Por estes motivos, a suplementação de glutamina mostra-se eficaz na prevenção de infecções no trato respiratório e para a saúde intestinal em atletas em períodos de treinamento prolongado. A administração oral de L-glutamina leva ao aumento dose-dependente da concentração de glutamina no plasma indicando que a principal fração de glutamina administrada é supostamente metabolizada pelas células da mucosa intestinal.

Doses de 0,1g/kg de massa corporal ou uma dose única de 5g aumenta em 100% a concentração de glutamina no plasma 30 minutos após a ingestão. In vivo, aproximadamente 50% da glutamina absorvida no lúmen intestinal é subsequentemente metabolizada no intestino e no fígado.

A utilização de dipeptídeos de glutamina, tais como a L-alanil-L-glutamina por via oral representa uma alternativa eficiente de aumentar a disponibilidade de glutamina nas células. Estudos in vivo demonstraram que a suplementação crônica oral de L-glutamina na forma de dipeptídeo não gera alteração na glutaminemia, porém gera aumento da concentração da glutamina muscular e hepática.

A glutamina é um aminoácido que desempenha importante papel fisiológico na modulação do sistema imune e da saúde intestinal. Sua suplementação vem sendo reconhecida como eficiente na prevenção de infecções em atletas submetidos a treinamentos exaustivos. Desta maneira, pode ser uma estratégia importante a ser aplicada na recuperação de atletas entre sessões de treinamentos.

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